The Project Gutenberg EBook of Anthero do Quental, e Ramalho Ortigo, by 
lvaro do Carvalhal

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Title: Anthero do Quental, e Ramalho Ortigo

Author: lvaro do Carvalhal

Release Date: June 1, 2010 [EBook #32645]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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Anthero do Quental, e Ramalho Ortigo




COIMBRA--IMPRENSA DA UNIVERSIDADE




CARTA A A. D'AZEVEDO CASTELLO-BRANCO


Amigo! Contente com a alma sublimemente burgueza, que tu me conheces,
vejo com pasmo, do limiar da minha porta, desfilar a soberba cohorte dos
predestinados, que vo quebrando lanas em prol do bello, do ideal, do
justo, por elles espremidos em guindadas theorias, capazes de reduzirem
as cabeas mais bem construidas e duras  triste condio de um fructo
podre de maduro. Vejo-os, e no com indifferena, porque sou curioso e
adoro tudo o que me d assumpto para o mexerico. Ora bem; o mexerico:
ahi tens a razo principal da minha carta; ahi tens a razo porque
descruzo as mos de sobre o abdomen para tomar a penna do escriptor. E
que escriptor!

Alm d'isso acrescia em mim o desejo de te offerecer um delambido
manjar, com que podesses, se te aprouvesse, augmentar a abundancia, que
se accumula sobre a mesa dos perdularios e lambareiros colleccionadores.

 tal porem a nossa terra, tal a natureza das relaes, que apertam seus
habitantes, que nem sempre ha permisso de se abrir  luz do dia um
pensamento franco, por inoffensivo que seja. Assim dou razo do modo
arrastado e fadigoso, porque apparece a minha tardia carta.

Ha muito que anda, a coitada, no extravio d'esses correios. Veremos se
pela nova forma, que hoje lhe dou, logra emfim chegar-te s mos. Perdeu
ja todas as pretences a levar-te novidade; pois no  muito que
rumoreje em Villa-Real o que, por c,  objecto das quotidianas palestras.

Nada obsta, todavia, a que conversemos amigavelmente; e muito mais
quando se tracta de um teu amigo, e teu companheiro, l nos venturosos
tempos, em que ainda eras academico.

Fallo do sr. Anthero do Quental.

E, j que transpareceu na tla, d'elle me occuparei primeiro; mesmo
porque o conheo mais de perto: de o ver passar na rua, e de lhe fallar
s vezes.

Conhecel-o no  ser seu amigo; no  seguir-lhe as ideias; no  pr
cobro  imparcialidade.

 pois--necessito que o creias-- sem lisonja, consciencioso, imparcial,
que me abalano a esboar-lhe aligeirado perfil do _retrato litterario_,
correndo a vista por esses arraiaes agitados e accesos em contendas
porfiosas de litteratura.

A carta do sr. Anthero--primeiro grito de alarma--fez mais que
mostrar-nos um talento, revelou-nos um caracter. _A dignidade das
letras_--alm de ser novo attestado do conceito em que tinhamos seu
auctor, veio confirmar as ideias anteriormente expendidas.

Eis o que o sr. Ramalho Ortigo est disposto a no conceder por forma
alguma.

Eu conhecia este escriptor portuense por um retrato grosseiro, traado
por alguns malquerentes, de que nunca se livrou o homem mais cauteloso,
uma vez que tomou para si a misso de julgar das cousas a seu
bel-prazer, com franqueza ou sem ella, sem curar muito em se adequar ao
gosto e sabor das multides. Alguma cousa me dizia, porem, que o retrato
tinha seu qu de infiel. E, com effeito, o escripto, que hoje me veio 
mo, acabou de me desenganar.

O pequeno folheto do sr. Ortigo, pequenissimo para o grande titulo, que
o decora, porque se chama--_Literatura d'hoje_,  um como espelho em que
se no perde, me parece, uma feio do auctor. Elle mesmo mostra
desejal-o, porque d relevo, com frequencia e no sem calculo,  sua
individualidade, como se lhe pesasse deixal-a nas sombras do quadro.  o
homem das cidades, que se vae sentar, com o seu charuto, em frente do
confortativo fogo com a paxorra de um sybarita, ancho como um
professor, que legisla do cimo da sua poltrona o despotismo da
palmatoria, terror dos meninos, que no sabem a lio. Na linguagem , a
meu ver, perfeito. No cede livre curso  imaginao para no atropellar
o bom-senso; nem, to pouco, rebaixa a dignidade de escriptor 
grosseria de termos plebeus. Suas ironias e sarcasmos so, por assim
dizer, aristocraticamente petulantes e azedos. A palavra apparece
rigorosa, e sem esforo,  evocao da ideia suggerida. E no  facil
entrever-lhe brecha por onde possa infiltrar-se algum travor do
ridiculo. Todavia fica a gente desconsolada por ver manchado todo esse
asseiado composto na sordida pobreza de verdade.

Que me no queira mal pela sinceridade.  a minha unica arma. Veremos se
saberei dar-lhe, com ella, plena satisfao em boas razes; boas ou ms,
consoante as tenho.

Mas, antes de ir mais longe, quero prevenir-te, meu Castello-Branco, de
que no sou to presumposo, que ouse criticar. Havia de fazel-o se
soubesse. Assim, venho simplesmente fazer-te a innocente declarao do
modo como avalio o escripto do sr. Ortigo em face dos escriptos do sr.
Anthero.

Este, disse eu, que, na sua carta, productora d'esses alvorotos revidos
e impotentes, offerecera  luz do dia o fiel traslado do seu caracter. E
quem deixar de ver do tumultuar harmonioso d'aquella magnifica phrase,
naquella prosa eloquente, a declarao de intimas convices, depuradas,
pelo fogo da imaginao, num estudo aturado, serio e reflectido?

O sr. Anthero tem alguma cousa da inflexivel virtude do homem primitivo,
que no ce bem no ambiente, saturado de artificio e de impostura, em
que vivemos. V at longe, pela intelligencia, os vicios e as
degradaes sociaes, e quer passar pelo meio d'elles impolluto, com a
mo na consciencia, despreoccupado das glorias do mundo, sempre austero
e sobrio. Sente, e diz o que sente numa linguagem toda d'alma, sem se
importar com o agrado ou desagrado do sr. Ortigo. Bem ou mal acolhido
nada parece ter com isso. Olha mais  dignidade do homem do que  chilra
ostentao do litterato. Isso, porem, est longe de significar que saiba
tragar um insulto com evangelica paciencia.

Ahi tens os homens e os escriptores.

No digo que no seja falsa a minha apreciao. Se for, desde j rejeito
o aphorismo bem sabido de todos--o estylo  o homem.

Mais um arredondamento e um colorido nas feies, e podemos seguil-os no
combate.

O escripto do sr. Ortigo constitue uma galeria, enriquecida de
retratos, que o auctor intenta caricaturar, esquadrinhando laseiras ou
disformidades onde so perfeitas as formas, e velando chagas onde ellas
so manifestas. Tem um modo seguro e dogmatico de dizer as cousas, que
enrodilha e leva a imaginao descuidada na sinuosa compostura de bem
jogadas palavras, dispostas com criterio um tanto acima do ordinario, e
tambem com no ordinaria e decidida--m-f. Desagradou-me, e
desagradaria a todos, a crueza sarcastica com que assetteia o sr.
Castilho, que, de qualquer maneira que o apreciemos, seja elle como for,
quaesquer que sejam as suas intenes, merece ser venerado pelos
vastissimos conhecimentos adquiridos em tantos annos de estudo e, em
parte, patenteados numa prosa, que ninguem excedeu ainda; ou mesmo, e
principalmente, pelas traduces, que o sr. Ortigo menospreza, e que,
todavia, so thesouros de riqueza para uma lingua, e modelos preciosos
para os que aprendem. Nos seus livros tem elle-- crena minha--um
escudo poderoso e magico contra o qual se quebraro as armas mais bem
temperadas de seus detractores. Attribuem-lhe,  certo, actos que o
deslustram, pouco generosos, e pouco nobres, que poderiam ser filhos,
como eu cuido, da simples e ephemera vaidade de deixar na sua passagem
seu nome celebre, preso a alguma anecdota ainda mais celebre, que o
fizesse lembrado na praa, no caf, na familia. No  raro
encontrarem-se caprichosinhos de similhante jaez em agigantados
talentos. So estes, porem, como a seara luxuriosa e medrada, que
esconde e afoga, nas opulencias de seu vio, as enfezadas parazitas, que
se lhe enroscam no p, s visiveis a olhos de lynce, ou a olhos de
alguem que, mal intencionado, de proposito as rabusca.

O litterato porem faz esquecer essas pequeninas cousas.

E, se a alguem, offendido, por qualquer motivo, assistia o direito de
lhe exprobrar a culpa, esse, quer-me parecer, no devia ser nunca, quem
no acha recursos na mais pura lealdade.

No imagino que alguma cousa possa affligir e irritar tanto o melindre e
vaidade do escriptor como a cavilosa estrategia do critico, que se afez
a arrastar-lhe as ideias verdadeiras e boas no labutar de palavras, que
elle torce e retorce, amoldando-as a contrario sentido com grave
detrimento da boa hermeneutica. O sr. Ortigo, neste ponto,  critico
muito para ser receiado.

Como me distraem occupaes mais serias contento-me em citar um ligeiro
exemplo, dando de mo a algumas das asseres anteriormente aventadas,
que eu me reservo confirmar quando m'o exijam. Isto, porque j me tarda
a entrada no campo em que, Ruth de novo genero, me propuz respigar.

Saboreia tu, meu Castello-Branco, a estrategia, que abaixo descubro, e
aconselho-te que pautes por esta todas as outras, que elle por ahi
recortou em imagens de polpa, e por vezes elegantes.

Disse o sr. Castilho, criticando o _Poema da mocidade_, na fallada carta
ao _editor_, disse que a poetica hodierna concede at certo ponto
mesclar-se o burlesco pelo serio; e comprovou-o com a citao do _D.
Joo_ de Byron, do _Diablo mundo_ de Espronceda, etc., accrescentando,
em remate, que ao poeta, em questo (o sr. Chagas) no convinha imital-os.

Isto a proposito de certas desgraciadas e truanescas concepes,
desenvolvidas em versos chocarreiros e unctuosos no malaventurado poema
de supradicto poeta. Nada mais justo, e mais para se louvar, do que a
delicada solicitude de mestre e de amigo com que o sr. Castilho
reprehende sem offender.

E queres saber a concluso tirada pelo sr. Ortigo? Brada que no pode
ser aquillo tomado a serio; que o sr. Castilho zombava quando tal disse,
e, muito mais, porque, decorridas poucas linhas, elogia aquelles versos
tristes, que dizem que

    as folhas seccas caiam
    com leve bulha no cho,

versos comparados a outros versos tristes de Myllevoye.

E prosegue clamando que a autoridade d'este moo, de intelligencia quasi
ephemera,  cruelmente anteposta ao exemplo dos gigantes, que
reformaram as litteraturas de Hespanha, Inglaterra e Frana.

Como se engana o sr. Ortigo! E como  para lastimar que a sua
espiritada intelligencia se demore nestes sophismasinhos escholares!

O sr. Castilho no denota, numa palavra sequer, preferencia a Myllevoye.
Nem ao menos o compara com Byron, Espronceda, etc. O que elle faz 
aconselhar cortezmente o sr. Chagas a deixar o infatuado e infantil
intento de seguir as pisadas de Byron. Aconselha-o como a prudencia
aconselharia o temerario icaro da fabula a no se avisinhar do sol, se
estimava em alguma cousa a tolissima existencia e as pobres azas de
cra. E j assim no acontece com Myllevoye, que o proprio esmiuador
portuense confessa, sem quebranto da historia, que era dotado de quasi
ephemera intelligencia, e que portanto podia, com um pouco de exagero,
ser apontado como norma, e servir mesmo de confronto ao sr. Chagas, que,
apesar do afamado poema, tenho para mim que lhe no falta merecimento.

 por outra forma mais liza, mais portugueza, mais nobre, que o sr.
Anthero encara na sua carta o chamado principe dos nossos poetas.
Arrebatou-me aquella linguagem austera e verdadeira. Digo verdadeira,
porque  sentida e franca, e no, de certo, porque o meu humilissimo
entendimento ouse partilhar taes ou similhantes ideias.

Appareceu o athleta como era desejado,  maneira dos _typicos luctadores
da estatuaria grega_; appareceu descoberto e desassombrado, porque vinha
forte nas suas convices.

O sr. Ortigo tambem appareceu; mais prudente de certo, mas bem mais
astuto e aggressivo. Pediu _foras lizas_ e combateu, afagando os
antagonistas, conduzindo-os por comoros de flores para os presentear com
envenenados _bouquets_.

Onde esto as foras lizas? Vejamos.

Fiz por definir os contendores. Agora vamos vel-os em campo.

Confessa o sr. Ortigo que, apenas obtida a carta do sr. Anthero, a
folheara guloso e aorado; e que comeara a lel-a pelo fim. Causou-lhe
profunda magoa--diz elle--ver phrases insultuosas e provocadoras... E
continua em estylo de dom cavalleiro, provocador e insultuoso, que no
tem duvida em se arriscar no dissaborido jogo da tapona comtanto que,
antes d'isso, o deixem tornear periodos de sympathica energia.

A mim pasmou-me tanto o novo modo de argumentar, que por pouco no
deixava passar a desgraada contradico em que o nosso critico se
precipitara. Engalfinhado no perfido desfecho da _carta_, e vencido da
justa colera, que assalta as almas generosas em lances taes, esqueceu-se
por fora de que esse desfecho no  mais do que uma logica e necessaria
deduco dos principios largamente expostos antes, principios, que
permaneceram inabalaveis, embora a pesada indignao do sr. Ramalho
lanasse pelos ares, esphacelada, a malaventurada concluso. E
permaneceram inabalaveis, porque elle, longe de os destruir pela raiz,
perfilhara-os no seu folheto.

Uma vez provado que o illustre critico lavrou,  sua parte, titulos de
_futil_, _deshonesto_ e _tonto_ ao eximio poeta dos _Ciumes do bardo_,
mais digno por certo de respeito e acatamento, ha de admittir-me sem
contestao, a no intervir algum desmoronamento no intelecto nominal,
que tambem o no _admira_, nem _respeita_, nem _estima_; que est
plenamente de accordo com o sr. Anthero; que se contradisse emfim.

Mas, para que o aranzel no v de longo fastidioso, convido-te,
meu paciente Castello-Branco, a abrir o folheto, que se
intitula--_Litteratura d'hoje_.

Tu me dirs se pode levar-se a serio que um homem, que presa sua boa
nomeada, no tema expor ao confronto as insultuosas, empeonhadas e,
ao mesmo tempo, divertidas paginas, que se referem ao sr. Castilho, com
a pagina 36, retezada de nobre e dramatica indignao com que o auctor
se desmente a si proprio, condemnando nos outros o mesmo, que elle acaba
de praticar, no generosa e varonilmente, mas com a covardia do
escarneo, rebuado em espirito, que, oriundo das bandas d'alm dos
Pyreneus, gastou nos pincaros da cordilheira, quando a transpunha,
frescura, suco e odor.

Pois l, na boa sociedade, de que nos d noticias, ser uso fallar-se a
linguagem do ridiculo e do escarneo a no ser com um _futil
estonteado_[1]?

Pois _faz-se espirito_  custa do homem, a quem depois se lavra diploma
de _honesto_ e grave[2]?

Pois consente-se ao primeiro, que passa, a petulancia de reprehender com
arrogante denodo o _poeta_, o _talento_, o grande homem, que, mais alm,
se reconhece digno das honras do capitolio[3]?

Ou  muito extravagante a tal boa sociedade, ou s. ex. est
perfeitamente concorde com o sr. Anthero, e deve-lhe satisfao da
affronta, caso lh'a no tenha j dado.

O que vale  serem estas cousas--no a expresso de um arraigado
pensamento--mas, apenas, um culto prestado s pompas do estylo.

Abria-se-me agora azo de as imitar, blazonando contra a natureza humana
em geral, e, especificando, contra a natureza do sr. Ortigo.

Mas, como no sei, digo que prso a nobreza da minha alma e o meu
pundonor de cavalheiro. E fica dissimulada a impericia.

Assim vae tudo.

O que realmente me parece digno de notar-se  que, chafurdando em
contradices, tenha ainda folego o sr. Ortigo para as esmerilhar nos
outros.

Atropelando desabridamente cortezia e conveniencias comea elle, em
termos raivosos e empertigados, a explicar os motivos que levaram o sr.
Anthero a louvar no opusculo--_Dignidade das letras_--o drama _Cames_
do sr. Castilho, que anteriormente, na carta, lhe tinha espesinhado, com
todas as obras, em verdadeiro furor de iconoclasta.

Com um pouco menos de apaixonado seria outra e mais decorosa a explicao.

No concebo a critica sem reflexo e boa-f. Quem poder dispor d'essas
indispensaveis condies leia a carta--_Bom-senso e bom-gosto_, leia o
_opusculo_; e confronte-os, depois de compulsados em separado. Ento
ver que nem ha sombras de contradico.

O sr. Anthero entendeu que estavamos na idade de sacudir tutellas
oppressivas; e disse-o, animando a revolta.

Se fez bem ou mal nada tenho com isso.

Na dicta revolta mediu a santidade do idolo pelos milagres feitos, pelas
obras, que lhe formavam o pedestal; e no colheu seno--_algaravia_,
_estonteamento_, _banalidade_, _ninharia_; palavras compridas, que
deviam de assanhar philantropicos brios.

Mas isto, visto assim syntheticamente, em grande, no quer dizer que no
houvesse possibilidade de descobrir-se pela analyse uma formosa baga de
ouro num monte de pedregulho; um lado fresco e saboroso num pomo dessorado.

No caso presente havia essa possibilidade; e tanto  certo, que o sr.
Anthero no seu segundo escripto, mais propenso  analyse, fez lisongeira
e especial meno do drama _Cames_, que no primeiro tinha sido
condemnado de envolta com a generalidade.

Considerou-o no que elle , e no curou de indagar, como parece, se
seria ou no seria original.

Ora nisto subiu de ponto a infelicidade do sr. Ortigo.

_O drama Cames_--diz elle--_ uma simples verso em que o traductor se
apartou do original unicamente para lhe interpolar um auto_, etc.

E serve-se d'este artificio para fazer cahir em falso os elogios,
prodigalisados ao livro.

Mas, admittida to arrojada proposio, a contradico, a censurada
contradico, nem sequer fica sendo apparente, porque de todas as obras,
que correm mundo com o nome do celebrado cantor da _Primavera_, foi
exactamente essa, que lhe no pertence, a que alcanou os elogios.

A ser como o sr. Ortigo assegura, a que vem aqui a palavra--contradico?

O elogio era ento, quando muito, um medido sarcasmo.

E, se assim o interpretou o illustre critico, que nome inventaremos para
o fazedor de taes, to desazadas e feias piroetas na corda bamba de sua
adoutadora phantasia?

Vejo-me obrigado a rematar em poucas palavras para no ser surprehendido
pela madrugada no vergonhoso rabusco de materiaes, que tem o condo de
fazer saltar aventesmas do mais perfeito interior do meu craneo. Vou
pois concluir numa ligeira considerao.

Alcunha-se geralmente de abstruza, por esse douto paiz, a forma adoptada
na escriptura pelos poucos mancebos, que tiveram o mo sestro de se
fazerem litteratos em Coimbra.

O sr. Theophilo Braga, que, pelos dons do seu brilhante e vigorosissimo
talento, obteria hoje, com os seus vinte annos, um dos mais nobres
logares nos proprios paizes, como Frana e Allemanha, em que as artes e
as sciencias constituem uma verdadeira religio, tem sido dos mais
teimosamente mordidos. Tem sido alcunhado de abstruzo e arrevezado por
quasi todos os que sabem emporcalhar com ferretes de tinta qualquer
branca mortalha de cigarro. Que a dextra de um principe se acoste a
amphora de ouro, perdida em escamas de esmeraldas e outras pedras
preciosas, com a impossivel e picaresca teno de nella sepultar e
arrefecer os impetos da milagrosa ebullio de ideias, que,
alimentada pelo fogo sagrado do genio, jorra da mente do poeta, pode
consentil-o o systema nervoso; mas, que a mo gretada de rabugento
chanfaneiro ouse apegar-se, para o mesmo fim, a gordurenta panella de
barro vil,  de acordar estremees e gritos de lastima. Porque o fragil
instrumento, estalando em estilhaos, ha de insculpir por fora no rosto
do sacrilego o unctuoso negrume dos mil fragmentos.

O d substitue a ira nos que veem.

No supponho inutil declarar que no vae ahi alluso a determinada
pessoa.  outra, mais augusta, a misso da imprensa.

Condemnemos--como diria um orador parlamentar, que eu
conheo--condemnemos as panellas, com toda sua garridice, a um
_ostracismo litterario_. Desterremol-as para local, que lhe seja
proprio. E levante-se mo d'isto por uma vez.

A nebulosidade, quanto a mim, se  reprehensivel na prosa em geral,
tolera-se todavia naquella que,  laia de certas concepes de Egdar
Quinet, reveste grandes pensamentos. E, em certo genero de poesia,
quer-me parecer que at se torna necessaria.

Dante, Goethe, Hugo e mil outros, cujos nomes posso aprender em qualquer
catalogo de livreiro, no so sempre accessiveis --_simples intuio do
bello, que , ignita em todas as almas bem formadas_[4].

Se as palavras abstruzo, extravagante, que se catrafilassem ao nome de
cada escriptor fossem uma reprovao, grandes reputaes teriam de
mergulhar no esquecimento.

Por mim, gosto de ver transluzir atravs de um vo, como mysterioso e
encantado, as imagens, as concepes, os formosos sonhos do poeta; e
estou quasi inclinado a crer que ha sobeja e singular estulticia na
cabea, que pretender a poesia judiciosa como um artigo de fundo, e
transparente como um vidro de lampadario.

_M. Magnin_ nas suas _Coseries litteraires_ prova, bazeado em estudos
psychologicos, que a natureza da poesia, no momento de sua manifestao,
_est d'tre folle ou, tout au moins, de le paraitre_--como elle mesmo diz.

Racine, o proprio Racine--falla _M. Magnin_--antes de suas audaciosas
sublimidades virem a ser, com o tempo, a linguagem da razo, no se
salvou da denominao de extravagante, que os espiritos prosaicos lhe
davam prodigamente, nem, to pouco, dos acerbos remoques dos que se
persuadiam oraculos do bom-senso e do bom-gosto.

No sei se isto ter todo o cabimento no caso presente.

A tua opinio, Castello-Branco?

Eu, se podesse ter opinio, havia de aproveital-a para me chegar a
convencer de que estou com geitos de escorregar nos lanzudos braos do
somnifero deos.

Surprehendido, com o desfecho, fazes-me naturalmente as seguintes
perguntas:

--Ento isto acabou?! Mas que significa isto? Que novos mundos queres
desencantar com as farfalhices do teu arrazoado? Que inteno  a tua,
alm dos prazeres do mexerico?...

--Immortalisar-me, est visto--respondo eu, com a pressa de quem deseja
asssignar-se

                                                            Teu amigo

                                                            _A. do C._

Coimbra, janeiro de 1866.


    [1] _Litteratura d'hoje_, pag. 16, 17, 18, etc.

    [2] Obr. cit., pag. 15, 16, 17, 18, etc.

    [3] Obr, cit., pag. 31.

    [4] _Litteratura d'hoje._





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electronic work or group of works on different terms than are set
forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

1.F.1.  Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
collection.  Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
works, and the medium on which they may be stored, may contain
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property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
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of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project
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LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
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LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
DAMAGE.

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in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
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If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
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that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including including checks, online payments and credit card
donations.  To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.net

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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